E NÃO SE PODE MATÁ-LOS??
SINOPSE
A violência pode atingir-nos explosivamente, fisicamente, directamente. Mas pode também inscrever-se nas nossas vidas, nos nossos imaginários, no nosso quotidiano através de mil imagens subtis de que não tomamos consciência a não ser quando a sua acumulação atinge um ponto de efervescência que domina todos os gestos, pensamentos e atitudes.
É uma peça sobre a violência no quotidiano, no espaço doméstico, no círculo familiar. Mas a família funciona aqui como microcosmos de um mundo mais vasto, que é o mundo em que vivemos. A peça transforma-se numa leitura clínica dos sintomas da violência na sociedade contemporânea a partir das pequenas células individuais e colectivas: as relações familiares, os gestos fragmentados de uma sociedade que se persegue a si própria, os sonhos de heroicidades recalcadas, os rituais educativos, o fervor religioso, os passatempos sociais, os mitos desenhados nas simbólicas dos media e os shows televisivos encenam nesta peça a violência que se respira na pele, na atmosfera, nos espaços urbanos, nos inconscientes mais íntimos.
Esta peça é, ao mesmo tempo um drama e uma comédia. Uma sátira e uma tragédia. O seu humor é um humor corrosivo. Faz explodir um riso que nos rasga por dentro.
Que nasce dum ácido que a sociedade destila e que desliza, quase imperceptível, no tecto, nas paredes e nos soalhos das casas que habitamos.
Texto de Alicia Guerra, tradução de João Maria André
Com encenação de João Mota
Elenco: Carlos Paulo, Alvaro Correia, Mia Farr, Tânia Alves, Maria Ana Filipe,Marco Paiva, Miguel Sermão.
27 janeiro a 3 de Abril 2011
De Quarta a Sábado às 21h30, Domingos às 16h.
