Comuna Teatro da Pesquisa

 

“DESIGN FOR LIVING”







"DESIGN FOR LIVING" de Noël Coward

de 8 de Dezembro a 5 de Fevereiro de 2012

Eu amo-te. Tu amas-me. Tu amas o Otto. Eu amo o Otto. O Otto ama-te. O Otto ama-me.

A PEÇA
Design for Living
é uma comédia escrita por Noël Coward em 1932. A peça conta a história de um tempestuoso trio, Gilda, Otto, e Leo, e do seu complicado triângulo amoroso. Estas personagens estão presas no que Coward chama de “três lados de uma miscelânea erótica”. O complicado e delicado tema tratado por Coward foi considerado, aos olhos da censura oficial de Londres, como inaceitável, tendo mesmo sido proibida em Inglaterra, e até 1939 não foi possível representá-la neste país. Com o estilo picante de Coward, este jogo animado, engraçado, mas também atípico, olha deslumbrante para estas criaturas egoístas e para a sua dependência autodestrutiva sobre o outro. Explorando temas como a bissexualidade, celebridade, sucesso e auto-obsessão.

Sobre as três personagens principais Coward escreveria mais tarde: “Estas faladoras, sobrearticuladas e imorais criaturas moldam as suas vidas a fantásticas formas e problemas porque não se conseguem ajudar a si mesmos. Impelidos maioritariamente pelo impacto das suas personalidades, um a seguir ao outro, eles são como borboletas à volta da luz, incapazes de tolerar a solidão e a escuridão mas igualmente incapazes de partilhar a luz sem colidir constantemente e sem ‘raspar’ as suas asas uns nos outros. O final da peça é equívoco. Os três são deixados juntos, a rir quando as cortinas se fecham. Alguns viram-no como uma lasciva antecipação de uma pequena brincadeira carnal. Para outros, com uma imaginação menos fértil, foi uma desculpa insignificante e sem sentido para baixar a cortina. Eu, como autor, contudo, prefiro pensar que Gilda, Otto, e Leo se estavam a rir de si próprios.” A peça foi escrita para ser representada pelos actores norte-americanos Alfred Lunt, Lynn Fontainne e pelo próprio Noël Coward. Coward conheceu Alfred Lunt e Lynn Fontainne na sua primeira viagem a Nova Iorque em 1921, quando ainda nenhum deles era famoso. Sonhando com a fama resolveram que quando fossem famosos Coward escreveria uma peça para eles. Na década seguinte, Coward tornou-se um dos autores mais famosos do mundo, com uma sucessão de vários êxitos. Lunt e Fontanne também chegaram à fama, e no início dos anos 30 Coward escreveria esta peça.

Design for Living foi um sucesso na Broadway em 1933, apesar de ter sido reposta muito menos vezes do que as outras grandes comédias de Coward. Este chegou mesmo a afirmar: “gostaram e não gostaram, odiaram e admiraram, mas nunca, penso eu, foi amada o suficiente por ninguém a não ser pelos seus actores principais. ”A peça foi adaptada para filme em 1933, com direcção de Ernest Lubitsch, com guião de Ben Hecht, com os actores Frederic March, Gary Cooper e Miriam Hopkins. Design for Living, estreou em Cleveland, Ohio, a 2 de Janeiro de 1933 e foi estreada em Nova Iorque a 24 de Janeiro do mesmo ano, no Ethel Barrymore na Broadway, tendo sido bastante aclamada e tendo-se tornado muito popular. No New York Times, Brooks Atkinson descreve-a como sendo uma peça de “competência, arte e clarividência, representada por um incomparável trio de comediantes. (…) Miss Fontainne com a sua calma, languidez deliberada; Sr. Lunt com o seu entusiasmo de rapazinho; e Sr. Coward com a sua cortante e nervosa clarividência. Coward mostrou uma grande habilidade, arte e até mesmo erudição ao ter conseguido levar a peça para um lado um pouco homossexual, fazendo-o parecer apenas uma brincadeira.”

Design for Living foi um sucesso tão grande que Coward foi convencido a deixar de parte a sua regra habitual de não estar em cena com nenhuma produção mais de três meses, e permitiu que a peça estivesse em cena por um total de cinco meses. A peça obteve tal notoriedade que na última semana de Design for Living a produção foi obrigada a chamar a polícia para controlar os fãs.

A primeira produção em Londres de Design for Living foi feita no Haymarket Theatre a 25 de Janeiro de 1939. Gilda foi interpretada por Diana Wynyard, Otto por Anton Walbrook e Leo por Rex Harrison. Infelizmente o espectáculo teve de ser cancelado devidoà deflagração da Segunda Guerra Mundial. A sua reposição ocorreu no Phoenix Theatre, em Londres, logo após a morte de Coward em 1973. Vanessa Redgrave interpretou Gilda, com John Stride e Jeremy Brett como Otto e Leo. Em 1982, no Globe Theatre, Maria Aitken, Bond Gary e Ian Ogilvy desempenharam os papéis principais. Houve ainda uma reposição na Broadway, em 1984, no Square Theater, dirigido por George C. Scott, com Jill Clayburgh como Gilda, Raul Julia como Leo e Frank Langella como Otto.

Uma reposição em 1994 em Londres, dirigida por Sean Mathias no teatro Donmar Warehouse com Rachel Weisz, Paul Rhys e Clive Owen, enfatizou a conotação sexual da peça.

Em 2001, a Broadway fez uma reposição dirigida por Joe Mantello e estrelou Alan Cumming como Otto, Jennifer Ehle como Gilda e Dominic West como Leo. Em 2010, o Old Vic Theatre de Londres, encenou uma reposição, com Tom Burke como Otto, Lisa Dillon como Gilda e Andrew Scott como Leo.

O AUTOR
Noël Coward nasceu a 16 de Dezembro de 1899 em Teddingham, Middlesex, um subúrbio de Londres, em Inglaterra. Estudou no Royal Chapel School em Londres. Nascido num meio musical, pois os seus pais cantavam num coro e muito cedo encontrou o seu caminho no palco. Quando tinha 12 anos fez a sua primeira aparição em palco numa peça para crianças.

A primeira peça de Coward, Rat Trap, foi um estudo realístico das emoções das suas personagens. Foi escrita em 1917, mas não foi publicada até 1926. Em 1918 interpretou o papel principal na sua peça The Last Track.

O seu primeiro drama a receber atenção dos críticos foi The Wortex (1924), uma peça sobre o vício da droga. Durante este período foi considerado como o porta-voz de uma geração mais nova, apesar de o seu trabalho ser muitas vezes criticado por ser imoral.

Em 1929 Coward estreou-se numa produção da Broadway da sua peça Bitter Sweet. Bitter Sweet é um musical romântico que foi popular tanto na Grã-Bretanha como nos Estados Unidos da América. A canção mais popular desta peça, “I’ll See You Again”, foi considerada como a melhor composição musical de Coward.

As peças importantes de Coward durante os dez anos seguintes incluem Private Lives (1930); Cavalcade (1931), uma representação patriótica da tradição Britânica; Design for Living (1937), uma comédia elegante; e Blithe Spirit (1941), uma fantasia sobre o espiritismo (a prática de tentar comunicar com os mortos, como sendo uma ciência).

Durante a Segunda Guerra Mundial Coward representou para as tropas na frente de batalha. Mais tarde escreveu sobre esta experiência no seu Middle East Diary (1945). Em 1942 escreveu, actuou, e co-dirigiu com David Lean no filme In Which We Serve. Continuou a trabalhar com Lean na versão cinematográfica de Blithe Spirit (1945) e no guião para Brief Encounter (1946), uma das histórias de amor mais ternas do cinema.

As peças de Coward nos anos seguintes — incluindo Peace in Our Time (1947), Quadrille (1952), Nude with Violin (1956), e Sail Away (1961) — não foram tão bem recebidas como os seus primeiros trabalhos. Em 1960 participou no filme Our Man in Havana, dirigido por Carol Reed e escrita por Graham Greene (1904 – 1991). Coward também escreveu dois volumes autobiográficos chamados Present Indicative (1937) e Future Indefinite (1954). Os seus outros trabalhos ficcionais incluem duas colectâneas de pequenas histórias chamadas To Step Aside (1939) e Star Quality (1951), e um conto, Pomp and Circumstance (1960), que retrata a vida Britânica nas Ilhas do Sul.

Coward foi feito Cavaleiro pela rainha Elizabeth em 1970. Morreu a 26 de Março de 1973 em Kingston, Jamaica.

PERSONAGENS
Gilda – Rita Calçada Bastos
Otto – Carlos Vieira
Leo – João Tempera
Ernest Friedman – Carlos Paulo
Mr. Birbeck – Hugo Franco
Henry Carver – Hugo Franco
Helen Carver – Maria Jorge Marques
Grace Torrence – Mia Farr

ACTO I
Cena 1: Estúdio de Otto, em Paris.

ACTO II
Cena 1: Apartamento de Leo, em Londres
(18 meses mais tarde);
Cena 2: O mesmo espaço
(alguns dias mais tarde);
Cena 3: O mesmo espaço
(na manhã seguinte).

ACTO III
Cena 1: Apartamento de Ernest, em Nova Iorque
(dois anos mais tarde);
Cena 2: O mesmo espaço
(na manhã seguinte).

TEMPO
O presente

FICHA ARTÍSTICA
Encenação – Álvaro Correia;
Autor – Noël Coward;
Tradução – Paula Seixas;
Assistente de Encenação: Marta Helena Jorge;
Interpretação – Carlos Paulo, Carlos Vieira, Hugo Franco, João Tempera, Maria Jorge Marques, Mia Farr, Rita Calçada Bastos;
Cenografia – Marta Silva;
Figurinos – Carlos Paulo e Dino Alves;
Desenho de Luzes – Paulo Graça;
Candeeiro – Artur Mendanha;
Fotografia – Bruno Simão;
Gabinete de Produção – Rosário Silva, Carlos Bernardo;
Assistente de Produção – Cecília Piscarreta;
Costureira – Mestra Aurélia Braz.

FICHA TÉCNICA
Equipa Técnica – Mário Correia, Renato Godinho e Mónica Sousa;
Operador Luz/Som – Mónica Sousa.
Agradecimento Especial – Dino Alves e Artur Mendanha

Agradecimentos – Jorge Andrade, Diogo Bento, Gonçalo Perestrello, Casa Almada, Clara Carvalho e TNDMII.