Santo António de Lisboa, o nosso Santo Antoninho da devoção popular, suporta uma carga de preocupações em cima que não
se faz ideia. Antes de mais, a responsabilidade de andar com o Menino ao colo. Depois as súplicas dos muitos devotos
que – aqui entre nós – às vezes, abusam dos pedidos. Nem um santo aguenta!
Não dá para tudo, mas faz os possíveis…Por exemplo: derrete-se-lhe o coração, quando uma afilhada, Antónia de seu nome,
Pobre e órfã, lhe pede auxílio para o seu desamparo.
O santo não gosta de dar tudo a pronto, embrulhado e já está. A felicidade conquista-se e dá que fazer. Sendo assim,
nós acompanharemos as aventuras da jovem Antónia, os contratempos que teve de vencer até suspirar de alívio nos braços
de um bem-amado. Por acaso é um príncipe, mas podia não ser. O santo, que foi dando uns empurrõezinhos, abençoa no fim
ou não fosse ele o padroeiro dos enamorados.
Esta peça de António Torrado, escrita toda em verso, à maneira dos antigos autos, estava mesmo a pedir música que para
ela, propositadamente, compôs o Maestro António de Sousa. A encenação é de João Mota que sendo João, não deixa
por isso de devotar ao nosso Santo António lisboeta o mesmo apreço que os outros dois “afilhados”.
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